quinta-feira, 17 de abril de 2008

A audiência.






Quando nos casamos as assinaturas faziam parte da sagrada consagração, as testemunhas eram toda a platéia de convidados sorridentes, fora as outras testemunhas legitimadas que subiram ao altar para assinar a papelada. Assinar fazia parte da cerimônia e era só um apêndice de um momento mágico e emocionante ... e assim foi cumprido o ato preparado previamente com muito esmero e carinho para que tudo saísse conforme havíamos planejado. Fotógrafos, amigos, parentes, nossos pais reluzentes de alegria e nós, os atores principais, saímos da igreja com o ar de vitória e um caminho a percorrer de uma vida a dois . Agora estamos nós na sala de audiência, desamparados e sós. Sem platéia, sem festa, sem vitória, apenas algumas trocas de palavras, como se tivéssemos nos conhecido naquele momento. Mal trocamos olhares, pois isso requer um grau de intimidade que já não tínhamos desde a separação de corpos. Mas isso não impediu que fosse um momento de muita comoção e tristeza. Muitas lágrimas saltaram dos meus olhos. Não eram lágrimas de arrependimento ou de querer dar um passo atrás, mas lágrimas de saudades do que já não era, e lágrimas do que poderia ter sido e não foi, e talvez nunca fosse. O fato é que é lamentável o fim, ali, na sua cara, de um adeus. Não me contive mesmo nas lágrimas, diferentemente do meu ex companheiro. Mas foi a forma de expressar a minha emoção, meio patético talvez, mas e daí? A serenidade dele não deixava transparecer os seus reais sentimentos do momento, ou talvez realmente estivesse sereno . Não me arrisco falar por ele, uma vez que tem uma educação de berço que poucos têm, mas que de certa forma, em algumas ocasiões camufla a verdade beirando a formalidade. Aliás como ele estava lindo! Acho que eu tinha desacostumado com as suas feições. Saí da sala para me recompor e retornei com uma postura mais firme. Quando sentei novamente, o advogado me advertiu dizendo que eu não era obrigada a assinar nada caso não quisesse, e eu retruquei dizendo-lhe que eu era emotiva demais, mas que podia seguir o procedimento. E assim foi.......tinha que passar por isso, legitimar e carimbar o fracasso da união e da inevitável perda, pois assim decidi mesmo sem ele querer, na época, poucos meses antes daquela audiência. Uma vez tomada a decisão talvez não esperasse que tivesse esse fim, mas queria uma mudança que o tempo revelou. O tempo realmente dá as respostas corretas, pois vi que apesar de eu ter tomado a decisão e ter ficado com o ônus, pois quem toma a atitude para os olhos de fora é o culpado pelo fim,vi que ele também já não tinha mais disposição para levar adiante o relacionamento. Mas há que se considerar que quando chega o fim a culpa é de ambos ou de ninguém, mas não necessariamente do corajoso que teve a iniciativa do término. Como disse o tempo me revelou que a fenda na nossa relação já não se fechava, pelo contrário se abria cada vez mais transformando-se num abismo. Eu numa ponta e ele na outra e nada no meio que transpusesse essa barreira e a possibilidade de uma reconciliação. Mas ainda que ele tenha tido a percepção mais tardia que a minha, ou se acovardado nos últimos momentos, o fato é que a vida em comum já estava sendo indigna para nós, e nós, naquela sala, apesar de toda minha comoção, tínhamos certeza disso. Fica então a lembrança dos ótimos momentos, o carinho, um amor de querer bem, a saudade....., e quem sabe depois a possibilidade de um novo encontro e de uma futura amizade.

Até a próxima!

Bjsss


Cris

4 comentários:

Mariana disse...

Gostei muito do texto, excelente emocionante e bem comovente como é a vida.

Vanessa disse...

Meninas,

tá lindo o blog de vcs! Li todos os textos!!
Aposto que já já tá bombando na net!!! rs..

Bjs

Cidadã atenta disse...

Gostei da maneira como descreves as tuas emoções num momento tão duro, no fundo a formalidade de um divórcio. Concordo que é mesmo estarnho sentir que uma pessoa com quem fomos intimos, já não é nada, não significa nada, a magia, a complicidade de outrora foi. Mas a vida é assim mesmo, estamos sempre a mudar e eles também, podemos é crescer na mesma direcção que houver interesse de ambos para apostar verdadeiramente na relação.

Beijos
Paula

Anônimo disse...

OLÁ ESTOU PASSANDO POR UMA SITUAÇÃO MUITO COMPLICADA E GOSTARIA MUITO DE PODER CONVERSAR SOBRE O TEMA, HÁ UM CANAL, E-MAIL PARA TROCARMOS IDÉIAS

FICO NO AGUARDO.